Beja sensibiliza para causa dos refugiados com evento “Somos Todos Estrangeiros”

Segundo João Paulo Ramôa, «a sociedade precisa de ser sensibilizada para as diferenças culturais»

A Santa Casa da Misericórdia de Beja (SCMB) promove, na segunda-feira, o evento “Somos Todos Estrangeiros”, com o objetivo de «sensibilizar a comunidade para a causa dos refugiados e promover a inclusão social».

Trata-se de «um encontro para alertar para a importância da integração» de pessoas oriundas de países com «diferenças culturais tremendas», mas que «têm de ser ultrapassadas de parte a parte», disse à agência Lusa o provedor da SCMB João Paulo Ramôa.

«É algo de que se fala muito, mas [onde se] falha imenso, a integração destas pessoas que escolhem o nosso país para viverem, trabalharem, terem as suas vidas normais. E a sociedade tem de ser trabalhada, assim como eles têm de ser trabalhados para se integrarem», defendeu.

Desde 2016, a SCMB já acolheu «27 refugiados», entre os quais «sírios, iraquianos, afegãos e ucranianos» que tem encaminhado para acolhimento junto de famílias da região, durante 18 meses, antes do «passo importante e efetivamente mais interessante», que é «a integração».

Nesse sentido, o evento “Somos Todos Estrangeiros” é «um alerta» onde vão ser apresentados «vários testemunhos», ao longo da tarde de segunda-feira, nas instalações da SCMB, no antigo hospital da instituição.

A partir das 14h30, um refugiado, um migrante e uma pessoa que beneficia de proteção internacional dão o seu «testemunho de vida» num encontro denominado «3 caminhos, 3 histórias», explicou à Lusa a coordenadora do gabinete de Ação Social da SCMB.

O objetivo é «fazer a distinção entre os três conceitos» porque «o cidadão comum pensa que são a mesma coisa, mas não são», vincou Francisca Guerreiro.

Depois, a partir das 16h30, tem início “Acordes do Mundo: Ecos de Cultura”, um «momento musical» protagonizado pelo projeto Além Cabul, que inclui uma artista portuguesa e um refugiado afegão, assim como pelo grupo coral alentejano Cantadores do Desassossego.

O “Somos Todos Estrangeiros” encerra, a partir das 18h00, com “Alentejo Sabores e Cultura”, um «lanche onde serão apresentados diversos produtos alentejanos», revelou a responsável.

Segundo João Paulo Ramôa, «a sociedade precisa de ser sensibilizada para as diferenças culturais».

«De repente, convivemos com pessoas com culturas religiosas que definem princípios básicos de vida completamente diferentes dos católicos» e isso «é uma diferença muito grande», disse.

Mas «não é só de nós para eles, que também têm a responsabilidade e obrigação de conhecer a nossa cultura e de se integrarem, de não imporem aquilo que são as entidades culturais deles com a justificação de que são refugiados e, como tal, estão desprotegidos. Isso não é desculpa de parte a parte», advertiu Ramôa.

Assim, «é exatamente nessa troca de experiências e nesse intercâmbio das dificuldades e das facilidades» que se pretende, no evento “Somos Todos Estrangeiros”, encontrar «o caminho da integração».

«Porque, se não for um caminho de integração, é um fracasso e pouco interessa o esforço que se fez de parte a parte neste percurso de 18 meses» de acolhimento, concluiu o provedor da SCMB.

 

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