O Algarve Biomedical Center (ABC) já está a fazer ensaios pré-clínicos a três medicamentos, a pedido da Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês). É a primeira vez que uma entidade portuguesa fará este trabalho de avaliação de eficácia ou segurança de fármacos, o que, além «ser uma honra, é também uma responsabilidade».
O primeiro passo para se chegar a este ponto foi dado em Setembro quando o ABC soube que tinha sido um dos vencedores de uma call da EMA.
«Vimos esse concurso, aberto a nível mundial, para testes aos fármacos da Agência Europeia do Medicamento. Concorremos e conseguimos ser selecionados, inclusive ficando em primeiro lugar», conta, com orgulho, Nuno Marques, presidente do ABC, em conversa com o Sul Informação.
Depois do contrato assinado, no valor de 5 milhões de euros, o trabalho já começou, com três medicamentos a serem testados pelo ABC.
«O que nós vamos fazer, ao longo de cinco anos, são testes em termos de eficácia e segurança a um nível pré-clínico. Esta é uma fase mais laboratorial. Vamos receber os fármacos, avaliá-los perante a dúvida que nos enviam e depois daremos sempre a resposta à EMA», explica.
Pelos laboratórios do ABC, na Universidade do Algarve, poderão passar comprimidos, cápsulas, comprimidos injetáveis, comprimidos biológicos e até vacinas.
«Esta avaliação é algo fundamental existir em termos mundiais: é uma capacidade de resposta e avaliação. A EMA conseguirá, assim, ter 10 laboratórios – nós ficámos em primeiro no concurso e somos o único no país – a receber os produtos e a dar resposta àquela pergunta específica», diz Nuno Marques.

E a que se deve mais este sucesso do ABC?
Para o seu diretor, a Agência Europeia do Medicamento viu neste consórcio, que junta a Universidade do Algarve e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve, a «capacidade para dar resposta ao pretendido e uma equipa muito diversa».
«A EMA referiu a excelente qualidade dos investigadores que temos, bem como a excelente capacidade para trabalhar em conjunto», relata Nuno Marques.
No total, haverá cerca de 40 pessoas a trabalhar nestas avaliações, sendo que o ABC também contactou outras áreas da UAlg para dar o contributo o que for necessário.
«Conhecemos bem o que é feito da Universidade e não temos problema nenhum em ir buscar o know-how de outras unidades orgânicas, outros centros de investigação», enquadra Nuno Marques.
Certo é que, para o ABC, esta conquista rima com responsabilidade.
«É mais um motivo de orgulho para o ABC e que se deve à capacidade dos nossos investigadores. Em Portugal, temos excelentes investigadores: precisam é de ter condições. Nós temos a grande matéria prima, que são os seus cérebros. O que nós fizemos, neste ano e meio, foi dotar os investigadores de capacidade, como equipamento, por exemplo, para poderem estar tranquilos no desenvolvimento da sua atividade», conclui.